terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Questões de Filosofia Enem 2012

1) Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.

MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).

Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao

a) valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo. 
b) rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos. 
c) afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana. 
d) romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem. 
e) redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão. 

2) TEXTO I

Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez.

DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

TEXTO II

Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita.

HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado). 

Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume

a) defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo. 
b) entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica. 
c) são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento. 
d) concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos. 
e) atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento. 

3) É verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste nisso. Deve-se ter sempre presente em mente o que é independência e o que é liberdade. A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem; se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder.

MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997 (adaptado).

A característica de democracia ressaltada por Monstesquieu diz respeito

a) ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao tomar as decisões por si mesmo.
b) ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à conformidade às leis.
c) à possibilidade de o cidadão participar no poder e, nesse caso, livre da submissão às leis.
d) ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde que ciente das consequências.
e) ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo com seus valores pessoais.

4) Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado menores durante toda a vida.

KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado).

Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão do contexto filosófico da Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por Kant, representa

a) a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade.
b) o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas.
c) a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma.
d) a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento. 
e) a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão. 

5) Na regulação de matérias culturalmente delicadas, como, por exemplo, a linguagem oficial, os currículos da educação pública, o status das Igrejas e das comunidades religiosas, as normas do direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em assuntos menos chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios semelhantes ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das esferas pública e privada — em tudo isso reflete-se amiúde apenas o autoentendimento ético-político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos. Por causa de tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma comunidade republicana que garanta formalmente a igualdade de direitos para todos, pode eclodir um conflito cultural movido pelas minorias desprezadas contra a cultura da maioria.

HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo: Loyola, 2002.

A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, encontra amparo nas democracias contemporâneas, na medida em que se alcança

a) a secessão, pela qual a minoria discriminada obteria a igualdade de direitos na condição da sua concentração espacial, num tipo de independência nacional.
b) a reunificação da sociedade que se encontra fragmentada em grupos de diferentes comunidades étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em torno da coesão de uma cultura política nacional.
c) a coexistência das diferenças, considerando a possibilidade de os discursos de autoentendimento se submeterem ao debate público, cientes de que estarão vinculados à coerção do melhor argumento.
d) a autonomia dos indivíduos que, ao chegarem à vida adulta, tenham condições de se libertar das tradições de suas origens em nome da harmonia da política nacional.
e) o desaparecimento de quaisquer limitações, tais como linguagem política ou distintas convenções de comportamento, para compor a arena política a ser compartilhada.

6) Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua mente.

ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado).

O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?

a) Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas.
b) Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles.
c) Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.
d) Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.
e) Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.

7) TEXTO I

Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma- se em pedras.

BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).

TEXTO II

Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão a impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha.”

GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).

Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação teorias que

a) eram baseadas nas ciências da natureza. 
b) refutavam as teorias de filósofos da religião. 
c) tinham origem nos mitos das civilizações antigas. 
d) postulavam um princípio originário para o mundo. 
e) defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas. 


Gabarito:

1) - c
2) - e
3) - b
4) - a
5) - c
6) - d
7) - d

domingo, 18 de junho de 2017

Questões sobre: Racionalismo, Empirismo e Iluminismo

1] Com base no racionalismo, corrente filosófica que diz que só a razão é a verdadeira fonte de conhecimento, que certeza uma pessoa que segue essa corrente teria ao ver as seguintes imagem:

           
R: Teria a certeza de que os sentidos humanos geram constantes erros e por isso a experiência sensorial não deve ser encarada como uma forma aceitável de se entender a complexa realidade do universo.

2] Que relação uma pessoa empirista faria ao ver a seguinte imagem:


R: Faria relação com o pensamento do filósofo Jonh Locke que diz que todo ser humano é uma folha em branco ao nascer.

3] Imagine a seguinte situação: dois filósofos (René Descartes e David Hume) se encontram e começam a conversar. Depois de alguns minutos de conversa, eles começam a divergir entre si e discutir. Após muita conversa, cada um vai para um lado estando brigado com o outro.

Baseado na situação acima e nos seus conhecimentos de filosofia, responda as seguintes questões:

a) Sobre o que esses dois filósofos provavelmente estavam conversando?
R: Como se dá o conhecimento.

b) Porquê esses dois filósofos provavelmente começaram a divergir entre si e saíram brigados um com o outro?
R: Porque um acredita que é a razão a verdadeira fonte do conhecimento e o outro acredita que todo conhecimento é proveniente dos sentidos humanos.

c) Esses dois filósofos podem ser classificados levando em consideração o que eles acreditam em relação ao motivo que levaram eles a divergirem um do outro? Se sim, quais são essas classificações.
R: Sim. Racionalista e empirista.

d) Quem poderia chegar nessa discussão e superar a divergência entre esses dois filósofos? Como ele faria isso?
R: Immanuel Kant. Associando o conhecimento a aspectos das duas vertentes que ocorrem praticamente ao mesmo tempo.

4] Observando as seguintes imagens, responda:

                  

                 

a) Que grupo de pessoas provavelmente faria estes cartazes?
R: Um grupo de intelectuais iluministas.

b) Onde este grupo de pessoas provavelmente está reunido?
R: Num clube de discussões.

5] Palavra cruzada.

a) Para os filósofos do século XVIII, esse período seria para sempre chamado de “o século das luzes[6]”.
b) Os pensadores iluministas são conhecidos como esclarecidos[8].
c) Qual seria a nova luz pela qual os iluministas pretendiam iluminar o mundo europeu? razão[2].
d) O iluminismo foi fonte de inspiração para movimentos sociais. Como exemplo temos a revolução francesa[7].
e) Para os pensadores iluministas do século XVIII, a filosofia moderna dos séculos XVI e XVII se prendeu muito em questões de ordem natural[4], e até divina[3]. Era chegada a hora de usar a razão da filosofia moderna para as questões de ordem social[5] e humana[1].



6] Como era entendido o iluminismo para Kant e Diderot?
R: Era entendido como a saída da minoridade, para a maioridade do intelecto humano.

7] Um estudante ao passar por um muro, percebeu a seguinte frase escrita:

 
Resposta: Voltaire
Contudo, no muro não está indicando o nome do autor dessa frase. Escreva no muro o nome do autor dessa frase.

8] Que características evidenciam a influência do iluminismo na Revolução Francesa, na Declaração dos Direitos do Homem e na Declaração de Independência dos Estados Unidos?
R: A igualdade jurídica e o conjunto de liberdades que todo ser humano nasce com o direito de ter.

9] Quais foram os principais conhecimentos que Denis Diderot e Jean Le Rond D’Alambert tentaram reunir em uma única obra reunindo um total de 33 volumes?
Escreva o nome dessa obra no livro abaixo.

Resposta: Enciclopédia
R: Os conhecimentos científicos, filosóficos e artísticos.

10] Porquê o filósofo Jonh Locke tem importante relevância no que se refere à política?
R: Porque ele defendeu a separação do Estado de Igreja e foi um dos principais teóricos da democracia.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Alguns pontos relevantes sobre Filosofia Moderna

- As principais transformações que ocorreram nas estruturas européias durante o século XVI e que acabaram promovendo mudanças na forma pela qual o homem ocidental encarava a natureza, o conhecimento e a política são: a formação dos estados nacionais, o fortalecimento da burguesia, a reforma religiosa, a revolução científica, a invenção da imprensa e o renascimento cultural. Todas estas transformações contribuem para o surgimento de uma visão de mundo antropocêntrica, visão esta em que o homem se torna o centro da cultura, pois passa a ser considerado o sujeito, que produz conhecimento, que utiliza da capacidade racional para produzir cultura, para inovar, criar novas ideias.

- No que se refere ao Renascimento humanista, sua principal característica é a valorização dos clássicos greco-romanos tendo como lema o pensamento do filósofo Protágoras que diz: “o homem é a medida de todas as coisas”. Com isso, os temas pagãos voltam a ser pintados e os temas cristãos são aproximados à estética grega, como por exemplo, a imagem de Deus encontrando Adão (A Criação de Adão). Contudo, o afresco A Escola de Atenas pintado por Rafael Sanzio é a obra artística que melhor representa esse resgate greco-romano.

- No que se refere à política, a filosofia política atua no sentido de pensar racionalmente sobre a função do Estado e dos governantes, tendo os seus autores incluído valores humanistas em suas obras que dentre os quais podemos citar o Erasmo de Rotterdam, Thomas Morus e Nicolau Maquiavel.

- No que se refere à ciência, a valorização da observação e do método experimental faz surgir uma ciência ativa em oposição à ciência contemplativa dos antigos e Nicolau Copérnico propõe um novo modelo de universo em que o sol passa a ser o seu centro (heliocentrismo), contrariando o modelo de Ptolomeu em que a Terra seria o centro do universo (geocentrismo).

quinta-feira, 12 de março de 2015

Questões de Filosofia Medieval

01] (UFU 2006)
“Tudo o que se move é movido por outro ser. Por sua vez, este outro ser, para que se mova, necessita também que seja movido por outro ser. E assim sucessivamente. Se não houver um primeiro ser movente, cairíamos num processo infinito, o que é absurdo. Logo, é preciso que haja um primeiro ser movente que não seja movido por nenhum outro. Esse ser é Deus”.

Tomás de Aquino. Suma de Teologia. Citado por: COTRIM, Gilberto.
Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Saraiva, 1996. p. 135.

O texto acima apresenta uma das cinco “provas” da existência de Deus chamada por alguns de argumento do Primeiro Motor Imóvel, proposta por Tomás de Aquino. A propósito desse tema, responda o que é pedido nos itens a seguir.

A) Comente a influência de Aristóteles na elaboração do argumento dessa prova.
R: O argumento Primeiro Motor imóvel tem na metafísica aristotélica o seu fundamento filosófico. Isso porque, segundo o filósofo grego, para que haja movimento, é necessário que haja uma causa eficiente e, no limite, uma primeira causa um primeiro motor que move sem ser movido. Tomás de Aquino apreende essa idéia afirmando que esse primeiro motor é Deus.

B) Cite e exponha uma das outras quatro “provas” desenvolvidas por Tomás de Aquino.
R: Tomás de Aquino apresenta ainda quatro outras provas da existência de Deus.
1. Causa primeira: Todo efeito possui uma causa eficiente. Logo, deve haver uma causa primeira para as coisas e esta é Deus.
2. Ser necessário: Todos os seres são contingentes, ou seja, todos deixarão de existir. Para que o mundo não deixe de existir é necessário que ao menos um ser seja necessário para garantir a existência dos outros. Esse ser é Deus.
3. Ser perfeito: há graus de perfeição em todos os seres. Sendo isso uma graduação, deve haver um nível máximo de perfeição, e este está em Deus.
4. Inteligência ordenadora: como toda ordem advém de uma inteligência, deve haver uma inteligência última que ordenou todo o universo. Esta é Deus.

02] (UFU 2001)
“Todas as coisas brutas, que não possuem inteligência própria, existem na natureza cumprindo uma função, um objetivo, uma finalidade, semelhante à flecha dirigida pelo arqueiro. Devemos admitir, então, que existe algum ser inteligente, que dirige todas as coisas da natureza para que cumpram seu objetivo. Este ser é Deus.”

Tomás de Aquino. Compêndio de Teologia.São Paulo:
Abril Cultural, 1973. Coleção “Os Pensadores”.

O texto acima é a quinta prova da existência de Deus elaborada por Tomás de Aquino. Explique o argumento da prova, considerando a ordenação do ser criado, segundo o princípio da finalidade divina.

R: O princípio da finalidade divina considera que todo o ser tem uma finalidade, que não pode ser arbitrária. Essa finalidade é dada por um ser sumamente potente e inteligente, que dirige todas as coisas segundo seu fim específico. Esse ser dirigente é Deus.

03] (UFU 2001)
“Creio tudo o que entendo, mas nem tudo que creio também entendo. Tudo o que compreendo conheço, mas nem tudo que creio conheço.”

Agostinho. De Magistro. São Paulo: Abril Cultural,
19733 p. 319. Coleção “Os Pensadores”.

A citação de Agostinho refere-se à relação entre fé e razão. Explique como este filósofo concebe esta relação.

R: A citação de Agostinho demonstra como, para ele, a fé é superior à razão. Ele afirma que se pode crer em algo sem entender. Isso acontece uma vez que se pode crer nas verdades da fé sem as compreender. Entretanto, o inverso não é possível. Algo compreensível é algo necessariamente crível (é por isso que ele afirma “creio tudo que entendo”), e é por isso que a razão se submete à fé.

04] (UFU 2000)
“Se é verdade que a verdade da fé cristã ultrapassa as capacidades da razão humana, nem por isso os princípios inatos naturalmente à razão podem estar em contradição com esta verdade sobrenatural.”

Tomás de Aquino, Suma contra os Gentios,
São Paulo: Abril Cultural, 1973. P. 70

Com base no texto acima, explique como Tomás de Aquino harmoniza as verdades da fé com as verdades da razão natural.

R: Segundo Tomás de Aquino, a razão e a fé não se contrapõem porque ambas provém da mesma verdade eterna, que é Deus. A razão, por esta perspectiva, deve estar submetida à fé, pois não é capaz de compreender todas as suas verdades (como a verdade de que Deus é uno e trino). Nesse sentido, existe uma razão natural do homem capaz de conhecer, mas não de conhecer tudo. Assim, a revelação também pode aperfeiçoar a razão natural.

05] (UFU 1998)
“A criação das coisas por parte de Deus é a melhor, pois é próprio de que quem é o Melhor fazer tudo da melhor maneira. Ora, é melhor fazer uma coisa em vista de um fim do que fazê-la sem visar a uma finalidade. Por conseguinte, Deus fez as coisas com vistas a uma meta”.

Tomás de Aquino – Compêndio de Teologia – Coleção “Os Pensadores”

Esse argumento da finalidade das coisas é freqüente no pensamento de Tomás de Aquino. Explique como Tomás de Aquino utiliza-o para provar a existência divina.

R: Podemos dizer, muito basicamente, que duas concepções aristotélicas estão envolvidas nesta argumentação de Santo Tomás de Aquino. A primeira é uma concepção lógica sobre o estilo de argumentação, isto é, o uso de um silogismo. A segunda é uma concepção ontológica sobre a ordenação do ser, isto é, a referência à causalidade, mais especificamente, à causa final.
No silogismo realizado por Santo Tomás de Aquino temos:
Primeira premissa: Deus cria apenas as melhores coisas,
Segunda premissa: As melhores coisas são melhores apenas se visarem um fim,
Conclusão: Deus cria apenas coisas que visam um fim.

Finalidade é o caráter daquilo que, de modo consciente tende para um objetivo através da organização dos meios. Nesse caso existe uma finalidade intencional, isto é, um plano provindo de Deus, como um ser criador de todas as coisas. As coisas em si não trazem a razão (finalidade ou fundamento primeiro) de seu próprio existir, incluindo o homem, de modo que, a ordem e a finalidade se fundamentam numa causa exterior, essa causa exterior, consciente e ordenadora que visa a finalidade de todas as coisas só pode ser Deus.